Entrevista com Giba - atacante e capitão da seleção masculina vôlei
Brasília - Os planos de Giba para a seleção brasileira de vôlei já não são mais tão audaciosos. Por enquanto, está difícil encontrar algum argumento que convença o jogador a permanecer na equipe depois do Mundial de 2010, na Itália. A meta do curitibano, por enquanto, é voltar a jogar por um clube nacional a partir do ano que vem.
Em entrevista à Gazeta do Povo em Brasília, na última quarta-feira, ele negou que a pressão tenha prejudicado o rendimento do time em Pequim. E garantiu que o Brasil ainda manda no vôlei mundial. “Nos últimos oito anos, quantas vezes eles (norte-americanos) subiram no pódio? A gente sempre esteve lá. É claro que ainda somos os melhores.”
Você chegou a negociar o regresso ao Brasil já neste ano com o Cimed/Florianópolis. A meta é voltar da Rússia o quanto antes?
Cheguei a conversar, mas foi algo bem preliminar, que não avançou. Eu ainda tenho mais dois anos de contrato lá, e quando eu assumi o compromisso foi com a garantia de cumpri-lo. Mas tudo depende de como será a minha vida na seleção. Não sei se vou ter mais um ciclo olímpico completo ou se sigo apenas até o Mundial de 2010. Também depende de como vai ser o campeonato na Rússia, pesado ou leve. Gostaria mesmo de ficar só mais este ano. Só que o contrato precisa ser bem rediscutido, para que nenhum dos dois lados se sinta prejudicado.
A seleção chegou a Pequim com uma pressão por medalha de ouro superior ou igual à da seleção masculina de futebol em Copa do Mundo. Isso pesou?
Nossa equipe aprendeu a viver com essa pressão, essa responsabilidade de ter de ganhar o tempo inteiro. Foi uma aula que a gente teve durante todos os anos que permaneceu no topo. Aprendemos a conviver com esse tipo de pressão – o que não é fácil em nenhum esporte. O grupo foi sempre muito bem fechado, unido, para passar por tudo isso. Não foi só nessa Olimpíada.
Quem tem a hegemonia do vôlei atualmente, Brasil ou Estados Unidos?
Nos últimos oito anos, quantas vezes eles subiram no pódio? A gente sempre esteve lá. É claro que ainda somos os melhores.
O que significa para a seleção a saída do Gustavo? Há uma pressão dos colegas para que ele permaneça, assim como as mulheres estão pedindo para a Fofão não deixar o time feminino?
Ele já fez a escolha dele, assim como a Fofão já fez a dela. São 17 anos de seleção. Ele acha que deu o tempo, os filhos estão cobrando. Já fizemos de tudo para convencê-lo, mas a gente, como uma grande família, tem só que respeitar a decisão de cada um.
É possível, em curto prazo, formar uma seleção tão vitoriosa quanto a atual, que começa a se desmanchar?
É difícil de dizer isso. Ano após ano, é necessário estudar, treinar, dedicar-se ao máximo. O que essa geração fez nos últimos anos é algo único. Queremos nos manter no topo, mas é uma tarefa duríssima. A gente tem base, mas é preciso trabalho.
Como você pretende atuar no processo de renovação?
Sendo o que eu sempre fui, me dedicando ao máximo e mostrando aos outros que é só com esforço que é possível chegar a algum lugar.
Só o Bernardinho pode conduzir essa renovação?
Seria muito importante que ele ficasse à frente de tudo isso. Ele implantou a mescla dos jogadores mais experientes com os mais novos. Vamos ver o que ele decide.
Pelo que você mesmo diz, essa é a reta final do seu ciclo na seleção.
Ao longo de todos esses anos, o que aconteceu de pior, que gostaria que não tivesse acontecido, e o que aconteceu de melhor, que gostaria de repetir?
De pior? Nada. Todos os momentos ruins me trouxeram ensinamentos, só me fizeram crescer como homem, pai e jogador. De bom foi ter criado o orgulho de estar junto a essas pessoas. É uma convivência que, apesar de longa, ainda proporciona prazer. Não tem medalha que me pague isso.
Você pretende morar em definitivo em Curitiba quando parar de jogar?
Minha base sempre foi e continuará sendo Curitiba. É onde eu me criei, de onde não vou sair.
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